Indígena viaja sete dias de barco para garantir pensão por morte no Amazonas

Indígena viaja sete dias de barco para garantir pensão por morte no Amazonas

Sete dias de viagem fluvial separam a Comunidade Açaí da sede de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro. Esse foi o percurso enfrentado pela indígena Luz Marina Rodrigues, da etnia Kubeo, para conseguir formalizar seu pedido de pensão por morte durante o Mutirão Previdenciário da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), realizado entre 13 e 16 de julho.

Viúva desde fevereiro, Luz Marina teve o benefício negado inicialmente pelo INSS por não possuir a certidão de união estável oficializada — apesar de ter convivido 32 anos com o parceiro e tido nove filhos.

Para o defensor público Eliaquim Antunes, o caso ilustra as barreiras geográficas e burocráticas que isolam os povos originários de direitos básicos. “A realidade das comunidades exige uma análise sensível das provas, garantindo que barreiras documentais não impeçam o acesso a direitos fundamentais”, explicou.

Em quatro dias de ação, o mutirão registrou mais de 350 atendimentos, incluindo pedidos de aposentadoria, salário-maternidade e auxílio-doença. A força-tarefa foi realizada em parceria com o INSS, Funai e a prefeitura local com o objetivo de concentrar os serviços e reduzir o impacto do isolamento geográfico na região.

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