Cheia no AM não deve superar recordes em Manaus e mais três cidades, diz SGB
O nível dos rios no Amazonas não deve superar, neste ano, as marcas registradas na cheia histórica de 2021 em Manaus, Manacapuru, Itacoatiara e Parintins, municípios do estado monitorados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). A previsão foi divulgada na manhã desta quarta-feira (30), durante a apresentação do 2º Alerta de Cheias da Bacia do Amazonas de 2025.
De acordo com o SGB, o segundo alerta ocorre 45 dias antes do possível pico da cheia neste ano, previsto para 14 de junho .
O levantamento aponta que a cota nas quatro localidades devem ficar entre 1,11m e 0,67m abaixo dos níveis recordes já registrados.
“A cheia para Manaus, Manacapuru , Itacoatiara e Parintins já é uma cheia de grande magnitude, já alcançou patamares que superam a cota de inundação e (superar) a cota de inundação severa, a gente tem uma probabilidade alta de acontecer”, disse o pesquisador de geociência do SGB, André Martinelli.
Mesmo com a previsão mais favorável, o SGB reforça a importância de atenção das autoridades locais e da população ribeirinha, uma vez que inundações sazonais ainda podem causar transtornos em áreas vulneráveis.
Outras regiões
O Cemaden também alertou, hoje (23), sobre a “moderada” possibilidade de ocorrências nas mesorregiões Sudoeste, Sul e Centro do Amazonas, devido à elevação gradual dos rios Juruá, Purus e Solimões/Amazonas.
Além disso, para as mesorregiões do Baixo Amazonas, entre o norte do Pará e o Amapá e as bacias dos rios Tapajós, Xingu e Parauapebas, no Pará, o centro considera moderada a probabilidade de inundações pontuais e alagamento temporário de áreas rebaixadas devido a pancadas de chuvas mais fortes ao longo desta sexta-feira.
De acordo com a Defesa Civil estadual, 13 cidades amazonenses decretaram situação de emergência devido a inundações causadas pela cheia dos rios nos últimos meses. Sete delas ficam na calha do rio Juruá (Guajará, Envira, Eirunepé, Itamarati, Ipixuna, Carauari e Juruá); cinco na calha do rio Purus (Pauini; Boca do Acre; Lábrea; Canutama e Tapauá) e uma na calha do Rio Madeira (Borba).
Além destas, outros 24 municípios amazonenses estavam em estado de alerta na data do último balanço divulgado pela Defesa Civil estadual, no último dia 19. São eles: Manaus, na calha do Rio Negro; Manicoré, Novo Aripuanã e Nova Olinda do Norte (rio Madeira); Anori, Caapiranga, Manacapuru, Iranduba, Manaquiri e Careiro Castanho (Baixo Solimões); Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Nhamundá, Urucará, São Sebastião do Uatumã, Parintins e Maués (Baixo Amazonas) e Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Iça e Tonantins, na calha do Alto Solimões.
Em apenas sete municípios da calha do rio Juruá (Guajará, Eirunepé, Envira, Ipixuna, Carauari, Itamarati e Juruá), a situação afetou, de alguma forma, 60.324 pessoas. Já na calha do Purus, a Defesa Civil estadual calcula que ao menos 44.481 pessoas foram afetadas até o último dia 19, principalmente em Boca do Acre, que decretou situação de emergência em meados de fevereiro.
Ainda no começo de março, o governo estadual criou a Operação Enchente 2021, prometendo destinar R$ 67 milhões para ações de ajuda humanitária, como a doação de cestas básicas; instalação de abrigos e de estações de tratamento de água; crédito financeiro e anistia de dívidas, entre outras iniciativas.
Ao anunciar a operação, o governador Wilson Lima afirmou que ao menos 50 cidades amazonenses devem ser diretamente atingidas pelas enchentes deste ano. “Estamos trabalhando com a previsão de que mais de 50 municípios sejam afetados pela enchente, e isso envolve aproximadamente 400 mil pessoas”, explicou Wilson Lima.
*Com informações G1
